quarta-feira, 24 de abril de 2019

Leme125anos: Arpège de Calmon fez brilhar a Gustavo Sampaio 840A

Fachada da Arpége
O lojão da Rua Gustavo Sampaio, 840A, no Leme, Zona Sul do Rio de Janeiro, já brilhou nas Mãos de Waldir Calmon. Pianista e Compositor de sucesso, instalou a Boate Arpège nesse endereço. O lugar foi palco para grandes estrelas da Música Popular Brasileira como Linda Batista, Chico Buarque de Holanda, Wilson Simonal, Renato e seus Blue Caps, Ed Wilson, Odete Lara ,Ary Barroso , Tom Jobim, Vinícius de Moraes,Trio da Lua, Juca Chaves, Ary Toledo e Gilberto Gil . A Gustavo Sampaio, 840A, já foi galeria de arte , restaurante, e a Boate Rose Garden Clube,  agora se prepara para inaugurar uma Loja Pet Shop. A Importância de Waldir Calmon é tanta para a MPB e para a Música Mundial, que a Prefeitura do Rio resolveu homenageá-lo com Placa Comemorativa . Essa Seria a segunda placa conferida a uma personalidade e instalada no bairro . A primeira está no prédio da Gustavo Sampaio, em que morou a  Clarice Lispector .



Waldir Calmon , o músico que fez o Leme Brilhar


Waldir Calmon  compôs diversas músicas de sucesso. Certamente você já ouviu música dele no cinema. Ele interpretou a música Na Cadência do Samba ( Que Bonito é/ de Luiz Bandeira) do sempre saudoso Canal100. O trailer com flashes de partidas de futebol, passava antes dos filmes. Uma das suas maiores criações no entanto, foi a Boate Arpège, no Leme, de 1955.  Arpège dá nome hoje em dia a diversos estabelecimentos. Significa realidade. Aqui no Leme, foi uma das maiores boates que o Rio já conheceu. O Leme brilhou com a Arpége !!!

Junto com os sócios Waldemar Gomes ( seu pai) e  M Lanthos, Waldir Calmon inaugurava a Boate Arpège em 9 de setembro de 1955. A casa de início foi um enorme sucesso e contava com a bela voz de Diamantina Gomes, esposa de Calmon, que tinha número musical e atuou pelo menos até janeiro de 56, quando o casal separou-se. A decoração assinada por Pernambuco de Oliveira era sóbria, os preços de menu não eram exorbitantes . A Arpège funcionava com musical, bebida e comida. Um dos destaques do cardápio era Filét Arpége como fritas, presunto, palmito e ervilha. Com ar condicionado e atendimento especial, funcionava das 22 às 4horas da manhã. Todos os jornais da época davam destaque para a Arpège, como Ary Barroso, na Coluna Scoth and Soda, que assinava para O Jornal.

Inaugurada no mesmo ano da morte de Carmem Miranda e do incêndio da Vogue, a Boate Arpège veio com tudo, e jogava pesado no Marketing. No natal do primeiro ano de vida, enviou cartão gigante de natal para personalidades. Só para se ter uma idéia,  o cartão fechado era do tamanho de uma folha A4, e reproduzia trabalho de Cândido Portinari, que também morou no Leme.

Foi na Arpège que Waldir Calmon ganhou disco de Ouro



Waldir Calmon, em capa de Disco 


A Boate Arpège  inaugurou com show de Steve Bernard que tinha saído do Copacabana Palace e com Louis Cole, que tinha vindo da Vogue. Os dois tinham público fixo . A Casa precisava disso, porque concorria diretamente com a Sacha´s e a Drinks, que funcionava na Avenida Princesa Isabel. Mas a Presença de Waldir Calmon, contratado da Copacabana, era um “quê a mais” para o público. 

 Foi na Arpége que a Fábrica LPS, de Ovídio Grotera, comemorou os 100 mil discos vendidos do LP Feito para Dançar,de Waldir Calmon. Era junho de 57.O pianista e empresário era homenageado com disco de ouro maciço, diploma, alfinete de platina, ouro e brilhantes, na forma de um  R, símbolo da fábrica.


Naquele ano de 1957, Waldir Calmon  foi o recordista nacional de vendas.

Como apresentador da Tv Tupi e grande músico, trouxe apuro e bom gosto para a Arpège que apresentou grandes musicais como  Zé Maria e Conjunto, Jussara Lupe ,Dalva Barbosa,  Lucio Alves, Fernando Barreto, Zé Keti, Juca Chaves,  e Cauby Peixoto. Cauby ainda era muito jovem e bem magro, quando  foi cantor da orquestra.  Waldir também tocava diariamente na boate. O conjunto dele era um sucesso e tinha agenda lotada.

Em 1962, Calmon abria espaço Jovem na Arpège.  As tardes de música jovem teriam rock, twist, chachachá e   muito balanço. As músicas ficariam a cargo de Wilson Simonal, Reinaldo Rayol, Ed Wilson , Os Adolescentes e Renato e Seus Blue Caps. Logo, as tardes aconteceriam também aos domingos e Waldir Calmon, fechava contrato com o Clube do Rock.


Isso tudo acontecia no Leme, de 1962!!!! Dá para imaginar como deveria ser bom??


Um ano mais tarde, Waldir Calmon era convidado para temporada nos Estados Unidos. O convite vinha de Conrad Hilton, dono da rede de Hotéis Hilton. Não se sabe se ele aceitou o convite, mas contratou Tito Santos, para diretor artístico encarregado da casa, durante as ausências dele quando saía em excursões. Tito começou acertando ao montar barracão improvisado no palco e chamando Zé Keti para fazer um show que traria a voz do morro para o asfalto.


Com a mudança da Sede da Capital Federal – do Rio para Brasília – na década de 60, as boates do Rio sofreram. A Arpège conseguia manter o público e sempre inovava.  Por volta de 66, passava a ser chamada de Nova Arpège . Além das tarde de sábado, passou a exibir shows de samba, com a presença do Bloco Cacique de Ramos. O Show “Água na Boca” trazia  o melhor das escolas de samba para o Leme. Tudo ia muito bem, até que todos os sambistas faltaram num sábado à noite, dia de show , e foram todos demitidos.  

Em 1967, uma crise parece ter atingido a boate. Jornais da Época diziam que Waldir Calmon e o sócio não se entendiam mais. Pouco tempo depois, a Casa ganhava nova administração e mudava de nome. Passava a se chamar Sarau. Teria jantar dançante com órgão e piano.

Era o fim da Arpège!

Honraria para Waldir Calmon 



No ano que o Leme faz 125 anos, Waldir Calmon, pode fazer o Leme voltar a Brilhar. O Músico acaba de ser agraciado pela Prefeitura do Rio, através da FUNJOR (Associação dos Artistas e Amigos da Arte) com placa comemorativa do Circuito do Rádio. Além de Waldir foram agraciados com placas  Manuel Barcelos ( Radialista), Dalva de Oliveira( cantora e Rainha do Rádio),Paulo Monte, Linda e Dircinha Batista.

A idéia inicial e  desejo da Família Calmon, era colocar a placa no lado externo da Loja da Gustavo Sampaio, 840A, onde funcionou a Boate Arpège. Como a loja tem um dono, é necessário a permissão dele, para que a homenagem seja  feita. 

Todos nós ficamos na torcida, para que ele concorde! 



Texto MeuLemeRiodeJaneiro Facebook

5 comentários:

  1. Belíssima homenagem a meu pai de um bairro que foi tão importante em sua vida e que ele amava profundamente. Ele sempre nos levava para passear no Leme e ficava contando as coisas boas que lá viveu. Muito obrigada!

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  2. Amiga Marcinha,adorei!bjs.💕🤗😘

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  3. Certa noite, em 67, fui levado pelo baixista Jorge Marinho para vê-lo tocar no show "Pra ver a banda passar", quando me aparece Caetano Veloso, muito jovem ainda, que de forma inusitada, cismou de trepar numa árvore, em frente da casa, para declamar Franz Kafka... Saudades do Leme dessa época e do Arpége.

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  4. Muito bom, gostei de saber tudo isso sobre o Wldir Calmon, sempre gostei muito dêle.

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